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Memória, sociabilidade e identidade

Aragão, C. O. M. Torcendo as torcidas: cartografias e representações sociais de torcedores no Rio de Janeiro

ARAGÃO, Cristal Oliveira Moniz de. Torcendo as torcidas: cartografias e representações sociais de torcedores no Rio de Janeiro. Tese de doutorado em Psicologia. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2013.

Resumo: "A tese tem como objeto discutir as torcidas e os torcedores de futebol que frequentam os estádios na atualidade e seus novos sentidos em discussão, considerando o contexto das transformações vividas na cidade do Rio de Janeiro, relacionadas à realização dos megaeventos da Copa do Mundo de 2014, e dos Jogos Olímpicos de 2014, assim como as consequências do processo de modernização do futebol na matriz espetacularizada do jogo. A pesquisa se deu em planos interrelacionados que contemplam a observação participante em espaços onde ocorre o torcer – principalmente o estádio, mas também em bares e outros espaços –, entrevistas e pesquisa bibliográfica. No que tange ao trabalho de campo, a população estudada compreende os torcedores do Botafogo que frequentam o estádio do Engenhão, divididos em grupos pertencentes a organizações dedicadas ao torcer e aqueles que não as compõem. Foram contemplados recortes de gênero, idade (jovens e idosos) e tipo de organização torcedora a que pertencem, abarcando novos movimentos ou torcidas organizadas tradicionais. Foram realizadas 44 entrevistas e mais de 250 horas de observação em campo, entre 2010 e 2011. O trabalho recorre a um referencial diversificado, partindo da psicologia social, em particular a teoria das representações sociais em sua abordagem processual, baseada principalmente nos textos de Moscovici, Jodelet e Arruda. A cartografia é tomada como uma metodologia de acompanhamento de processos que atenta para diferentes planos, orientando a presença no campo. A partir de uma perspectiva histórica, buscou-se traçar o cenário de constituição do futebol no Rio de Janeiro como estratégia para reforçar a segregação entre grupos sociais e a criação de alteridades marcadamente hierárquicas. O panorama atual do futebol no Rio de Janeiro apresenta refrações de construções que corroboram uma representação hegemônica do torcedor de futebol ligada à desordem e a violência, e a necessidade de controle. Os resultados discutem os sentidos em debate sobre ser torcedor e ser torcedor organizado num contexto amplo. A paixão surge como categoria fundamental, além de caracterizações sobre si e os rivais. As conclusões dão indícios da conjunção de duas lógicas distintas para a compreensão da atividade torcedora: uma que se apoia na história, nos ícones e mitos para buscar no passado relações de causalidade; outra narrativa, mais próxima da experiência presente, define o ser torcedor a partir das 7 significações da paixão. Sobre o ser torcedor organizado, os novos modelos de torcidas tensionam o campo de produção dessa alteridade ao tornar suas definições mais fluidas, ocupando um lugar ambíguo diante da matriz espetacularizada do futebol."

Palavras-chave: torcidas de futebol; alteridade; representação social; cartografia; Rio de Janeiro - aspectos sociais.

Link http://teses2.ufrj.br/30/teses/807963.pdf.

Bandeira, G. A. "Eu canto, bebo e brigo... alegria do meu coração": currículo de masculinidades nos estádios de futebol

BANDEIRA, Gustavo Andrada. "Eu canto, bebo e brigo... alegria do meu coração": currículo de masculinidades nos estádios de futebol. 2009. 128 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009.

Resumo: “Esta dissertação trata do modo como as masculinidades são vivenciadas nos estádios de futebol. Tendo como referência os Estudos Culturais e de Gênero Pós-Estruturalistas, realizei uma análise cultural procurando mapear representações de masculinidades nesse contexto cultural específico. Para a construção do material empírico selecionei quatro jornais da cidade de Porto Alegre. Com eles, consegui observar narrativas de diferentes atores envolvidos com o futebol de espetáculo que me permitiram visualizar algumas das características positivadas nesse contexto. Além desse material, realizei observações participantes em oito jogos do Campeonato Gaúcho de 2008, sistematizadas em diários de campo. As observações aconteceram em quatro jogos do Sport Club Internacional e em quatro jogos do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense, nos estádios Beira-Rio e Olímpico. Procurei evidenciar como as ações dos torcedores, seus cânticos, suas vestimentas e faixas estão envolvidas nas construções das masculinidades desses sujeitos. Nos estádios de futebol, os sujeitos têm a possibilidade de ficarem ‘anônimos’, além de terem suas múltiplas identidades subordinadas à identidade de torcedor de futebol e colocarem-se em ação de forma coletiva. Os estádios exercem uma pedagogia. É necessário aprender quando gritar, quando calar, o que gritar, o que calar, o que e como sentir... O conceito de currículo da ‘ciência’ pedagógica parece-me produtivo para pensar as práticas exercidas nos estádios de futebol. O currículo não é aqui entendido como um caminho de início, meio e fim, onde os sujeitos sairiam de uma condição de não aptos até um lugar onde seriam diplomados e dali em diante poderiam ‘exercer’ a condição de homem ou de torcedor em qualquer contexto cultural. O currículo seria mais bem entendido, aqui, se pensado como uma série de prescrições, algo que os sujeitos são reiteradamente convidados a fazer. Ao longo da dissertação procurei apresentar diferentes narrativas sobre futebol e masculinidades que atravessam a construção do torcedor de futebol, especialmente os que frequentam estádios. A partir da aposta em um currículo de masculinidade do torcedor de futebol, sistematizei os conteúdos deste currículo em torno de quatro eixos: 1) Raça, garra e luta; 2) Violência e socialização; 3) Um amor de macho; 4) Masculinidades subalternas. No primeiro eixo, evidencio a necessidade de jogadores e torcedores demonstrarem algo mais, associando-se as representações dos clubes e do futebol gaúcho. No segundo, mostro como a homofobia e os confrontos físicos podem ser entendidos como forma de sociabilidade. A afetividade ganha destaque no terceiro eixo. Nesse ambiente onde as masculinidades viris são valorizadas positivamente, também aparecem significativas demonstrações de carinhos, declarações de amor e choros nem sempre valorados para uma masculinidade tradicional. No último eixo destaco a construção da masculinidade do adversário com toda a carga negativa possível fazendo uma clara distinção entre a masculinidade ‘inadequada’ deles que confirma a condição de normalidade da nossa masculinidade”.

Palavras-chave: Masculinidade; Futebol – Educação; Currículo; Cultura; Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense; Sport Clube Internacional.

Link: http://www.ludopedio.com.br/rc/upload/files/172131_Bandeira%20%28M%29%20-%20Eu%20canto,%20bebo%20e%20brigo_alegria%20do%20meu%20coracao_%20curriculo%20de%20masculinidades%20nos%20estadios%20de%20futebol.pdf

Batista, G. C. Cibertorcid@s organizadas: a violência das arquibancadas para a rede

BATISTA, Graziella Cataldo. Cibertorcid@s organizadas: a violência das arquibancadas para a rede. Rio de Janeiro: Dissertação de Mestrado em Comunicação Social/UERJ, 2005.

Braga, J. L. M. As torcidas organizadas de futebol no Rio de Janeiro

BRAGA, Jorge Luiz Medeiros. As torcidas organizadas de futebol no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Monografia de Graduação em Ciências Sociais / UERJ, 1991

Campos, L. L. O “exército rubro-negro”: um estudo de caso da Torcida Jovem do Flamengo e sua rede de alianças e rivalidades

CAMPOS, Leandro Lopes.  O “exército rubro-negro”: um estudo de caso da Torcida Jovem do Flamengo e sua rede de alianças e rivalidades. Monografia (Ciências Sociais). Instituto de Ciências Humanas e Filosofia. Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2010.

Campos, P. A. F. Mulheres torcedoras do Cruzeiro Esporte Clube presentes no Mineirão

CAMPOS, Priscila Augusta Ferreira. Mulheres torcedoras do Cruzeiro Esporte Clube presentes no Mineirão. 2010. 144 f. Dissertação (Mestrado em Lazer) - Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.

Resumo: “Nesta dissertação buscou-se conhecer o perfil sociológico das mulheres torcedoras da equipe de futebol do Cruzeiro Esporte Clube, presentes no estádio Governador Magalhães Pinto – Mineirão –, Belo Horizonte/MG, e a relação estabelecida por elas com o Clube e com o estádio. A pesquisa definiu-se como exploratória descritiva. Para traçar o perfil sociológico, foram aplicados 443 formulários e, para compreender a relação com o Clube e com o estádio, foram realizadas 14 entrevistas semiestruturadas. Os dados encontrados no formulário apontam que esse grupo social é formado por um elevado número de mulheres que adotam a ida ao estádio como uma opção de lazer. Elas variam em idade, formação profissional, local de residência, condições econômicas e formas de se relacionar com o Cruzeiro. Ao dar voz às que estão sempre presentes no estádio, apontou-se que a família, principalmente o pai, tem grande influência na escolha por esse clube. As falas das torcedoras, bem como as análises, ajudam a demonstrar o quão (in-)tensa é a relação da torcedora com o estádio. Ao mesmo tempo em que buscam o seu espaço, acabam reforçando normas sociais existentes. Ao adotar como referência a forma de torcer masculina, as mulheres acabam reforçando uma visão unívoca do que é ser uma torcedora dificultando a sua apropriação e inserção legítima nesse espaço e desconsiderando que existem várias formas de torcer e de manifestar o pertencimento clubístico.”

Palavras-chave: mulher, torcedora, futebol, lazer.

Link: http://www.ludopedio.com.br/rc/upload/files/264916_Campos%20(M)%20-%20Mulheres%20torcedoras%20do%20Cruzeiro.pdf.

Canale, V. S. Torcidas organizadas e seus jovens torcedores: Diversidades e normativas do torcer

CANALE, Vitor dos Santos. Torcidas organizadas e seus jovens torcedores: Diversidades e normativas do torcer. 2012. 119 f. Dissertação (Educação Física e Sociedade) - Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2012.

Resumo: “Esta dissertação é fruto de uma pesquisa sobre as coletividades torcedoras ao longo do século XX no Brasil e suas relações com a violência nos distintos períodos deste século, momento de afirmação e disseminação do futebol no país. O objetivo desta dissertação é traçar, a partir de uma retomada histórica dos coletivos de torcedores, a gênese de um modelo hegemônico de torcida organizada, fundado pelos Gaviões da Fiel, que influenciou a existência de outras torcidas em São Paulo e pelo Brasil. A partir de marcos das formas coletivas de torcer, como os sócios dos clubes das capitais paulistas e cariocas das primeiras décadas do século, torcidas uniformizadas e organizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro entre as décadas de 1940 e 1960 e o nascimento e disseminação entre os jovens das torcidas organizadas até 1995, ano da tragédia do Pacaembu, enfrentamento entre torcedores de Palmeiras e São Paulo no estádio paulistano, acontecimento marcante nos estudos sobre violência relacionada ao futebol, são observáveis os caminhos de uma lógica e normativa torcedora, fundamentada no clubismo e em outras representações internas e externas ao futebol, caras aos jovens torcedores. Assim, as rivalidades e a violência relacionadas ao futebol são questões que abarcam além do esporte em si, dialogando com as relações de cor e de classe, com os embates entre diferentes grupos dentro das metrópoles, somados à necessidade de exercer socialmente condutas impostas pela masculinidade, bem como o desejo do torcedor de participar enquanto agente ativo do espetáculo do futebol, buscando o reconhecimento e o papel central das torcidas no esporte, seja pela festa ou pela violência. A metodologia e fontes utilizadas foram revisão bibliográfica sobre violência no esporte e torcidas, notícias jornalísticas tratadas enquanto fontes primárias, entrevistas com membros da torcida organizada Gaviões da Fiel, acrescidas de observações de campo nos Gaviões da Fiel e em sua dissidência, o Movimento Rua São Jorge”.

Palavras-chave: futebol, torcida organizada, Gaviões da Fiel.

Link: http://www.ludopedio.com.br/rc/upload/files/035252_Canale_(M)_Torcidas%20organizadas%20e%20seus%20jovens%20torcedores.pdf.

Costa, G. M. Torcidas organizadas: futebol, comunicação e violência

COSTA, Gabriel Melo da. Torcidas organizadas: futebol, comunicação e violência. Rio de Janeiro: Monografia de Graduação em Comunicação Social/Universidade Estácio de Sá, 2002

Curi, M. C. Espaços da Emoção: Arquitetura Futebolística, Torcida e Segurança Pública

CURI, Martin Christoph. Espaços da Emoção: Arquitetura Futebolística, Torcida e Segurança Pública. Tese de doutorado. UFF/PPGA, 2012

Resumo: “Para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, 12 novos estádios serão construídos no Brasil. Esses estádios precisarão atender a uma série de exigências da FIFA – o chamado padrão FIFA – muitas das quais relacionadas diretamente a preocupações com a segurança pública. No Rio de Janeiro, já há um estádio pronto que segue esse padrão: o Estádio Olímpico João Havelange, também conhecido como Engenhão. Esse estádio foi construído para o público dos Jogos Pan-Americanos de 2007, evento que durou duas semanas. Logo em seguida foi arrendado pelo clube Botafogo de Futebol e Regatas passando, portanto, a ser frequentado por sua torcida. Parte-se do pressuposto que o Engenhão não foi necessariamente construído para este tipo de público. A tese central deste trabalho é que há, no Brasil, uma disputa simbólica pelo significado do torcer e que os novos estádios, construídos para a Copa do Mundo de 2014 são um instrumento desta disputa. Os envolvidos neste fenômeno não são apenas os diversos grupos presentes durante os jogos nos estádios, mas também os construtores e administradores dos estádios. Há em jogo uma série de representações sociais sobre tais espaços, e a forma assumida por eles resulta das diferentes negociações. Sendo assim, é possível não somente observar as construções, o comportamento dos diversos grupos envolvidos, assim como entrevistá-los a respeito de suas representações, suas avaliações sobre o espaço em questão e a segurança pública. Esta é a principal proposta da pesquisa aqui realizada. O Engenhão é um campo empírico de pesquisa interessante porque oferece a oportunidade de averiguar os modos pelos quais a torcida de um clube reage a uma arquitetura projetada para atender às demandas de um público de megaeventos.”

Palavras-chave: futebol, estádios, torcedores, Segurança Pública, megaeventos esportivos, disputa.

Link: http://www.proppi.uff.br/ppga/sites/default/files/curi_martin_tese_completo.pdf.

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